Monica
Vitti nasceu Maria Luisa Ceciarelli numa família de classe média. Linda,
espirituosa e extremamente talentosa, ela se envolveu seriamente com teatro
desde a adolescência, profissionalizando-se depois de um treinamento na
Academia Nacional de Artes Dramáticas, onde se formou em 1953. Estreou no
cinema em 1954 fazendo filmes ligeiros, mas não escondia de ninguém que sua
paixão era mesmo pelo teatro. Circulou pela Europa com várias companhias
teatrais, até que, em 1957, foi aceita no Teatro Nuovo di Milano, comandado por
Michelangelo Antonioni, com quem se casou e viveu mais de 15 anos. Monica ficou
encantada com o approach cinematográfico originalíssmo de Antonioni, e
participou da maioria dos filmes que ele realizou a partir de A Aventura
(1960). Só que apesar de ser uma mulher lindíssima e uma excelente atriz
dramática, Monica tinha o dom da comédia -- algo que Antonioni jamais teve.
Passou a engatar uma comédia atrás da outra, o que a distanciou um pouco da
órbita do marido. Ciúme À Italiana (1970), de Ettore Scola, é, de todos os
filmes cômicos que ela fez, certamente o melhor e mais original. Monica
interpreta uma mulher toda atrapalhada que ama demais dois homens muito diferentes
(Marcello Mastroianni e Giancarlo Giannini), extremamente ciumentos e igualmente
atrapalhados, e faturou o Prêmio David Donatello de Melhor Atriz. Outro filme
que marcou sua carreira e alcançou grande sucesso internacional foi a versão
cinematográfica bem psicodélica da heroína dos quadrinhos de Peter O'Donnell
Modesty Blaise (1966), dirigido por Joseph Losey. Sem contar o
interessantíssimo e pouco visto Um Caso de Amor Quase Perfeito (1979), de
Michael Ritchie, rodado na Cote D' Azur, onde Monica faz uma estrela de cinema
que se envolve com um jovem diretor americano que contrabandeou seu filme de
estreia dos Estados Unidos para a França para tentar incluí-lo numa mostra
paralela no Festival de Cannes. Monica Vitti sempre usou e abusou de sua
versatilidade, e sempre tirou de letra qualquer papel que lhe entregassem.
Atuou no cinema até o início dos anos 90, quando se aposentou, passou a dirigir
filmes e retomou sua carreira teatral. Sumiu misteriosamente do olho público
desde a virada de século, logo após lançar sua autobiografia. Cinco anos atrás,
seu marido divulgou um comunicado para a Imprensa explicando que ela sofre de
um tipo raro de demência, e que está internada desde 2002 numa clínica na
Suíça, e não reconhece mais ninguém -- um triste epílogo para uma das mulheres
mais encantadoras da história do cinema. Quem prestar muita atenção no jeito de
Jennifer Lawrence, talvez consiga perceber um certo ar de Monica Vitti no rosto
e nas expressões dela. Beleza e Talento nunca faltaram para nenhuma das duas.
(Chico Marques)

















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