O
início da gloriosa carreira internacional de Anita Ekberg é quase um ligar
comum, uma história que se repetiu por diversas vezes entre candidatos ao
estrelado to showbiz. Ela começou a trabalhar como modelo para revistas de moda
na adolescência e, em 1950, com o incentivo da mãe, participou e venceu o
concurso de Miss Malmö, da sua cidade, sendo depois eleita Miss Suécia de 1951.
Foi então para os Estados Unidos representar o país no Miss Universo, em Long
Beach. Não venceu. Ficou entre as seis finalistas. Mas isso lhe garantiu um prêmio bastante valioso: um contrato como
starlet da Universal Studios. Foi quando ela conheceu Howard Hughes, que a
convidou a trabalhar em suas produções, contanto que ela trocasse de nome e
fizesse plástica no nariz e nos dentes. Howard insistia que Ekberg, nome sueco,
era difícil de pronunciar para o americano comum. Ela obviamente se recusou a
atender seus pedidos, alegando que se ficasse famosa os americanos aprenderiam
a pronunciar seu nome de uma maneira ou de outra. E ela seguiu na Universal,
que apostou nela com muitas aulas de interpretação, dança, locução, hipismo e
esgrima. A combinação da beleza física e a agitada vida particular e social de
Ekberg logo a transformaram na pin-up mais requisitada da America nos Anos 50, presença
constante nas capas e páginas de revistas masculinas e no imaginário dos
marmanjos do mundo inteiro.
Anita
Ekberg ganhou fama nos Estados Unidos após uma turnê feita com o comediante Bob
Hope, em que substituiu Marilyn Monroe, e que foi transmitida por um novo meio
de comunicação chamado televisão. Na metade dos Anos 1950, foi contratada pela
Paramount Pictures para trabalhar com Jerry Lewis e Dean Martin em Artistas e
Modelos (1955) e Ou Vai Ou Racha (1956), que lhe deram grande projeção popular.
No mesmo ano, seguiu para a Europa com o diretor King Vidor na versão cinematográfica
de Guerra e Paz, onde contracenou com Audrey Hepburn. E então, em 1959, foi
convidada por Federico Fellini para viver Sylvia, famosa atriz sueco-americana
em seu majestoso La Dolce Vita, onde contracenou com Marcello Mastroianni.
Desnecessário dizer que o filme não só foi um sucesso estrondoso de público
como também a sequência em que ela toma banho na Fontana di Trevi usando um vestido
de noite negro, tornou-se um dos mais icônicos momentos da história do cinema. O
sucesso de La Dolce Vita a levou a estrelar Boccaccio 70, uma comédia com 4
episódios, onde seu nome dividia as marquises dos cinemas com os de Sophia
Loren e Romy Schneider. Mas depois de mais este sucesso internacional, sua
carreira perdeu fôlego. Escolhas pouco acertadas de ofertas de trabalho,
somadas ao avanço de novas starlets internacionais (como Brigitte Bardot,
Claudia Cardinale e Elke Sommer) pouco a pouco a afastaram de Hollywood em
definitivo, e ela acabou restrita ao cinema italiano, onde alternava filmes com
alguma qualificação artística -- The Alphabet Murders (1965), Woman Times Seven
(1967) e If It’s Tuesday It Must Be Belgium (1969) -- com outros absolutamente
desprezíveis (Gold Of The Amazon Women e The Killer Nun, ambos de 1979). Daí
para adiante, sua carreira desandou de vez. Para piorar ela engordou muito, ficando
com seu rosto bastante alterado, e os convites de trabalho, que já eram poucos,
passaram então a inexistir.
Anita
Ekberg teve uma vida amorosa agitada, casando-se duas vezes: a primeira com o
ator britânico Anthony Steel (1956-1959) e a segunda com Rik Van Nutter, mais
conhecido pelo papel de Felix Leiter, o contato norte-americano na CIA de James
Bond em Thunderball. Envolvida romanticamente por três anos com o milionário
italiano Gianni Agnelli, dono da Fiat, assumidamente seu grande amor, ela,
afastada do cinema, viveu muito anos numa villa ao sul de Roma, e voltou poucas
vezes à sua Suécia natal. Morreu em 11 de janeiro de 2015, aos 83 anos de
idade, na clínica San Raffaele em Rocca di Papa, em Castelli Romani, Itália. O
funeral foi realizado em 14 de janeiro de 2015, no Christuskirche
Luterano-Evangélico em Roma, suas cinzas foram enterradas no cemitério da
Igreja de Skanör na Suécia. (Chico Marques)












































































































































































































































































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